Passeios por Lisboa: do Oratório de S. Josemaria ao Palácio do Beau Séjour passando pelo Museu da Música

Passeios por Lx | junho 2017

Notícias do Passeio:

O dia amanheceu fresco, agradável para um Passeio. À hora combinada, começaram a aparecer as pessoas que iriam participar. Algumas mais habituais nestes passeios 4não tinham tido possibilidade de vir aos anteriores mais próximos e foi com alegria redobrada que nos cumprimentámos. Entrámos no  Oratório de S. Josemaria.  Àquela hora, apenas a capela do Santíssimo estava iluminada com luz elétrica, realçando o Sacrário, a parte mais importante,  e convidando a rezar. Este é uma peça indo-portuguesa em talha dourada, com a figura de Deus Menino, do séc. XVII-XVIII. Por trás uma pintura da Anunciação de uma pintora portuguesa contemporânea, Margarida Henriques,  contribui para o convite à oração. À volta, em confessionários, já se encontravam sacerdotes dispostos a ouvir as pessoas que assim o quisessem. O oratório integra-se num edifício onde se encontra a Residência Universitária de Montes ClarosSacrario, embora tenha funcionamento autónomo. Inaugurado em 1998, teve como arquitetos José Maria Coelho e Alfonso Fungairiño. O retábulo tem uma parte central de maiores dimensões, representando S. Josemaria a elevar a hóstia na Consagração da Missa, rodeado de uma multidão de pessoas e acompanhado por anjos. Em baixo uma inscrição de uma frase do Evangelho de S. João: ET EGO, SI EXALTATUS FUERO AD TERRA, OMNIA TRAHAM AD MEIPSUM, (e Eu, quando for exaltado na Terra atrairei tudo a mim), locução interior que teve durante a celebração da Santa Missa no dia 7 de agosto de 1931 e que  entendeu como um convite a elevar todas as atividades humanas honestas a Deus. Aos lados cenas da vida de Jesus relacionadas com os ensinamentos de S. Josemaria. A oficina de José, representando a grandeza do trabalho corrente, as bodas de Caná assinalando o valor do matrimónio, a vocação de Mateus revelando que Deus convida a segui-Lo através da profissão e a pesca milagrosa um apelo ao apostolado confiando em Deus.  De cada um dos lados da capela-Mor, vitrais da oficina Alves Mendes sob projeto de Manuel Ortiz. Do lado esquerdo:  Anjo da Guarda do Opus Dei, S. Tomás Moore, Santa Catarina de Sena e S. Pio X, do lado direito o Anjo da Guarda de Portugal, Sta Isabel de Portugal, S. João Maria Vianney e S. Nicolau de Bari. Na parede lateral direita da nave S. Miguel, S. Pedro, S. Gabriel, S. Paulo, S. Rafael e S. João.

6Dali seguimos para o largo e Rossio de Palma, recentemente arranjados, onde ainda se encontram “Vilas”, como a Vila Ventura, com a sua escada metálica exterior a ligar os dois andares! Continuámos até à Estrada da Luz. A dada altura, avistámos os camelos do Jardim Zoológico a “tomar o pequeno-almoço”. Passámos pelo Hospital dos Lusíadas e pelas casas e ajardinamentos ali ao lado, de onde se pode ver ainda as ruinas de um moinho de vento, no alto da colina. Entrámos na estação de metro do Alto dos Moinhos para ver os azulejos de Pomar e na esperança de ver algum exemplar do Museu da Música. Infelizmente as instalações do Museu estavam completamente encerradas. Esperemos que de futuro haja a possibilidade de abrirem ao domingo como acontece com a maioria dos museus! Já estávamos perto do Palácio do Beau Séjour, ali ao virar da esquina para a Estrada de Benfica. Mandado construir pela Viscondessa da Regaleira, quando comprou a Quinta dos Loureiros em 1849. O seu estilo romântico foi enriquecido com o revestimento de azulejos da Fábrica Viúva Lamego, pelo Barão da Glória que o comprou pouco tempo depois – em 1859. DSC02604Os sobrinhos deste, por sua vez, enriqueceram o interior com pinturas de Francisco Vilaça e dos irmão Bordallo Pinheiro: Maria Augusta, Columbano e Rafael. Não pudemos ver o interior mas passeámo-nos pelo jardim romântico de influência paisagística dos jardins ingleses do séc. XVIII. No lago e à sua volta passeavam-se patos, alguns com poucos dias de vida, qual novelos de lã amarela aninhavam-se à volta da mãe, enquanto outro mais independente se aventurava sozinho. A sombra da Araucária,  das Palmeiras-das-Canárias, da Sequóia e da Brachychiton spp,  junto do lago, assim como a água deste, tornavam o ambiente refrescante. Um pouco afastada desta zona, uma Figueira-da-Austrália (Ficus macrophylla), já com algumas raízes adventícias, enriquece o conjunto.  grupoPor ali passeámos descontraidamente, saboreando os últimos momentos deste passeio que completou o ciclo deste ano. Quem estava presente manifestou o desejo de continuar para o ano estes passeios nestes moldes – uma combinação de saborear ar livre pelas ruas ainda adormecidas de Lisboa, apreciar o património artístico e saber um pouco da história e da arte que alguns edifícios têm para nos contar, assim como conhecer alguns recantos mais pitorescos e desconhecidos da nossa Lisboa de todas as eras!!! 

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Passeios por Lisboa: da Academia de Música ao Jardim de Santa Clara, passeando pela Ameixoeira

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Notícias do Passeio:  Apesar de ficar no “Termo” de Lisboa, a Ameixoeira é agora de fácil acesso, com o Eixo Norte-Sul e o Metro a encurtarem as distâncias. Assim nos fomos reunindo no largo do Ministro, em frente à Academia de Música de Santa Cecília e, depois dos cumprimentoDSC02502s e apresentações, ouvimos com agrado a história e episódios daquele edifício, pela Doutora Maria Luisa Jaquinet que fez uma tese sobre o mesmo e nos resumiu que era um “ Palacete da segunda metade do século XIX, de gosto neoclássico, mandado edificar por Manuel Iglésias sobre propriedade antiga, de que integra vários elementos. Pertencia-lhe vasto jardim e zona rural. Utilizado como quinta de recreio pelos seus sucessivos inquilinos, passou, com o tempo, a acolher funções várias. O 2.º Conde de Casal Ribeiro, seu último proprietário, vendê-lo-á finalmente à CML. Nele funciona, desde 1964, a Academia de Música de Santa Cecília, cujos espaços guardam ainda a memória da antiga quinta de veraneio.” Mesmo a seguir está a casa que é agora Cottolengo do Padre Alegre. Muito bem tratado e florido o jardim desta casa onde, de 1895 a 1905 viveu Júlio de Castilho. Depois de passar por vários donos, em 1974 pertencia ao Dr. Mário Mosquera do Amaral que, em 1975 deixa o país. Em Julho – uma coP_Maio_52missão de moradores ocupa a casa abandonada e lá funcionou uma escola primária, um centro clínico e uma biblioteca. Mais tarde a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e a Junta de freguesia tomaram conta da casa e lá funcionou um infantário. Em 1991 a propriedade é devolvida ao dono que, em 1995 a vende à CML e esta por sua vez vendeu-a a umas religiosas espanholas que a 1 de Novembro de 1989 inauguraram o Cottolengo. A poucos passos a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação que, neste dia, estava em festa. Construída no local onde existiu uma capelinha de Nossa Senhora do Funchal, em data anterior a 1500, é, no entanto, de 1536 a criação da paróquia de N. Sra da Encarnação. É um edifício barroco que sofreu com o terramoto, sendo reconstruída posteriormente. A capela-mor, tem o retábulo em talha dourada e nas paredes laterais, destacam-se telas referentes à Eucaristia, de Bento Coelho da Silveira. Ao centro do teto da capela-mor e da nave central está pintada a ANUNCIAÇÃO do Anjo a Nossa Senhora, que coincide com a ENCARNAÇÃO de Jesus. A da nave é atribuída a Pedro Alexandrino. A pintura da capela lateral, Igrepresentando a descida da cruz, também é de Pedro Alexandrino. Na capela do lado oposto destaca-se uma cruz e uma imagem de Nossa Senhora do Rosário do séc XVII, recentemente restaurada. Azulejos representando cenas da vida de Nossa Senhora e suas invocações, de finais do séc XVII, assim como estuques referentes à ladainha, revestem as paredes. (folheto da APCD). Além de estar tudo bem preservado, estava também resplandecente para a festa que celebrava. Saímos. Espraiamos a vista pelo largo panorama que dali se avista. Em frente fica a Casa de Santa Clara  que estava com os portões fechados. Lá dentro rodava-se um filme francês. Antiga quinta de recreio do Séc XVIII, passou por vários donos. Em 1917 morava lá Eduardo Jorge, empresário de transportes de Lisboa,  pelo que na altura era conhecida por “Quinta do Chora”. Passou a chamar-se Quinta de Santa Clara quando foi adquirida por Augusto Carreira de Sousa, cujas iniciais figuram no portão do jardim, em 1926. Mais tarde, em 1970 o jardim é doado à CML e, posteriormente a casa é vendida à ENSINUS SA. O jardim foi arrangrupojado em 2013, mantendo o estilo barroco e é agora um espaço agradável, com o lago, os bancos com azulejos da fábrica de Sant’Anna, caminhos de terra batida à sombra de árvores, o recanto com o quiosque e um jardim infantil…Ali saboreámos o ar puro e demos por terminado o passeio que reconhecemos ter tornado aquela manhã num bom tempo de melhorar os conhecimentos do nosso património e de convívio agradável.

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