Parar e reflectir. Uns dias de retiro espiritual.

retiro 14 fev

Informações & inscrições: info.pontesobreotejo@gmal.com

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Passeios por Lisboa: Do Terminal Fluvial do Terreiro do Paço à Casa dos Bicos, passando pela Igreja da Conceição Velha

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Notícias do Passeio: O tradicional Verão de S. Martinho chegou atrasado este ano…e domingo  11-11-2018, amanheceu chuvoso. Contudo, na zona onde passeámos, a manhã esteve bastante tempo amena e com pouca chuva. À hora combinada lá estava um grupinho pequeno mas animado, à entrada da estação terminal fluvial do Terreiro do Paço. IMG_20181111_103936Esta é um edifício com projeto do arq. Cottinelli Telmo de 1931, com a fachada em estilo Art Deco. Em 2011 beneficiou de uma remodelação da responsabilidade do Atelier Daciano da Costa, sendo os azulejos do atelier Can Ran (Catarina e Rita Almada Negreiros, netas de Almada Negreiros). Seguimos a passo rápido para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, onde começámos por entrar e apreciar o interior, com destaque para a imagem de N. Sra do Restelo, do séc. XV, também designada por N. Sra do Parto, por o Menino estar nu, a quem Vasco da Gama rezou, em 1497, antes da sua viagem marítima em que descobriu a Índia. A imagem foi restaurada quando da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura. Começou por pertencer à Ermida dos Freires da Ordem de Cristo que existia no lugar onde agora está o Mosteiro dos Jerónimos. Em 1496 foi extinta a sinagoga que existia perto de onde agora está a Igreja da Madalena e foi adaptada a Igreja dando-lhe a designação de Nossa IMG_20181111_104827Senhora da Conceição dos Freires, por para lá terem ido os da Ordem de Cristo. Na Rua Nova dos Ferros foi construída em 1698 uma nova igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição. Para as distinguir chamava-se a esta Nova e à dos Freires, Velha. Destruída pelo incêndio que sucedeu ao terramoto, passou a designação de Conceição Velha e os Freires para a da Misericórdia, restaurada depois do incêndio. Esta, de uma só nave, é o que resta da inicial Igreja da Misericórdia que começou a ser construída no reinado de D. Manuel I e, só ficou completa no reinado de D. João III em 1534. Construída poucos anos depois dos Jerónimos era o segundo maior templo de Lisboa. O terramoto destruiu quase toda a construção, ficando intacto o pórtico manuelino, com alguns elementos renascentistas. Foi restaurada pelo arquiteto pombalino Francisco António Ferreira (com colaboração de Honorato José Correia) em 1770, tendo sido a primeira sede da Misericórdia. Por isso, ao cimo do pórtico, no tímpano, encontra-se um alto-relevo representando Nossa IMG_20180922_173336Senhora da Misericórdia, cobrindo com o manto o Rei D. Manuel I, a Rainha D. Leonor, que instituiu as Misericórdias e foi mulher do Rei D. João II , o Papa Leão X, Frei Miguel Contreiras que foi o inspirador das Misericórdias, e outras figuras do clero e do povo. Em nichos laterais encontram-se estátuas de S. Gabriel à direita e Nossa Senhora à esquerda. Em 1760 a Misericórdia passou para S. Roque. Outras duas imagens de Nossa Senhora de grande interesse são a de N. Sra da Conceição, de José de Almeida, Séc. XVIII, feita expressamente para a Igreja reconstruída depois do terramoto, que preside à Capela-mIMG_20181111_105609or e a de Nossa Senhora da Atalaia, também designada por Nossa Senhora da Alfândega, que, em 1507, foi levada em peregrinação ao Santuário da Atalaia, pedindo a proteção contra a peste. O bom resultado da intercessão de Nossa Senhora levou a voltar em peregrinação até lá, todos os anos. De grande valor é também o crucifixo, do séc. XVIII. O estuque do teto, representando o triunfo de Nossa Senhora da Conceição, é de Félix da Rocha, discípulo de Giovanni Grossi de acordo com Fernando António Baptista Pereira. Interessante é também a pintura da Última Ceia de Joaquim Manuel da Rocha e a de Nossa Senhora da Pureza, de Joana do Salitre. A dimensão da primitiva igreja que tinha três naves e se estendia para a direita e esquerda do pórtico, ficou reduzidíssima, sendo a atual capela-mor uma capela lateral dedicada ao Espírito Santo, da inicial igreja. Recentemente, em 2014 foi reabilitada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Prosseguimos até ao Terreiro IMG_20181111_111218 (2)do Paço, onde admirámos o Arco da Rua Augusta, que algumas já tínhamos visto em passeio anterior. Continuámos pela Rua Augusta, ao encontro de vestígios de Lisboa Romana, de que vimos alguns elementos, através do vidro da janela do NARC. Na Travessa do Almada vimos as chamadas “Lápides das Pedra Negras” com inscrições romanas, onde, entre outras coisas se pode ler: FEL. IVL. / OLISIPO (Felicitas Julia Olisipo) que era o nome de Lisboa no tempo dos Romanos.   A chuva começou a cair com mais força e ainda fomos até à Casa dos Bicos, onde rapidamente recordámos que era um edifício do séc. XVI, mandado construir por Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque, em 1521, com projeto de Francisco de Arruda. O terramoto destruiu muito este edifício que ficou reduzido ao andar térreo. Só veio a recuperar a dimensão inicial em 1981, quando foi reconstruido sob o patrocínio da Comissão Organizadora da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, pelos arquitetos Manuel Vicente e Daniel Santa-Rita. Terminámos o passeio, ficando a conhecer mais um pouco desta Lisboa que tem tanto para nos contar. Um bom grupo de entre nós ficou a almoçar num agradável restaurante da zona a celebrar um aniversário!

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Passeios por Lisboa: Do Palácio Baldaya ao Jardim Silva Porto, passeando por Benfica

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Notícias do Passeio: Manhã de 10 de junho de 2018. Celebrámos este dia de festa em Portugal com o nosso Passeio, desta vez por BeIMG_20171119_162727nfica, uma zona que é hoje densamente habitada e faz parte de Lisboa, mas que era, em tempos remotos uma aldeia camponesa. No século XV foi a sede de julgado do Termo de Lisboa. Sendo uma zona de belas paisagens, atraiu muitas pessoas abastadas que no séc. XVIII aí instalaram as suas quintas. Numa delas – a do Desembargador, cujo palácio data de 1783, está agora, desde  Abril 2017, instalado o Palácio Baldaya, dependendo da Junta de Freguesia de Benfica e funcionando como casa de cultura e espaço coworking. Entretanto, teria sido a residência de Maria Joana Baldaya, desde 1840, tendo depois funcionado como Hotel Mafra e passado para o Estado em 1913, foi usado como Laboratório Nacional de Patologia Veterinária e Bacteriologia até à presente utilização. Entrámos, visitámos demoradamente a exposição dos trabalhos das crianças das escolas da freguesia, muito artísticos e bem expostos. Vimos as esculturas em bronze, ao estilo Arte Nova que serão do tempo do Hotel, passeámos pelo jardim, admirámos os azulejos, e os murais de RAF, com especial destaque ao exterior representando Joana Baldaya! IMG-20180610-WA0004O chafariz de Benfica ali ao lado, construído em 1788, foi projeto dos arquitetos Reinaldo Manuel dos Santos e Francisco António Ferreira Cangalhas estava ligado ao Aqueduto das Águas Livres. Com seu estilo neoclássico, ostenta a pedra de armas da Rainha D. Maria.  A Igreja de N. Sra do Amparo, avista-se dali. De estilo barroco italianizado, foi projetada por João Frederico Ludovice, tendo-se iniciado as obras em agosto de 1750. O filho, João Pedro Ludovice, continuou com o projeto até à sua morte. As obras foram interrompidas até serem retomadas em 28 de Março de 1780, com a orientação do Mestre João Gomes. Por fim a inauguração aconteceu no dia 10 de dezembro de 1809. A pintura na capela lateral de Nossa Senhora de Fátima é da autoria de Teresa de Matos, de 1974. As das outras capelas e a do batistério são da escola de Pedro Alexandrino de Carvalho. A imagem de N. Sra do Amparo que preside na Capela-Mor é de 1961. IMG_20180610_113634_BURST001_COVERAo sair da Igreja pela porta lateral do lado esquerdo encontra-se o busto do Pe. Álvaro Proença, que foi prior desta paróquia desde 1955 até morrer em 1983. O busto é de António Duarte de 1984. O Pe. Álvaro Proença, deixou marca em Benfica, entre outras coisas, escreveu um livro “Benfica através dos tempos” que é muito referenciado. Seguimos pela Av. Grão Vasco atapetada com as amoras que caem maduras do alto das amoreiras que se espalham pela Avenida até ao Parque Silva Porto. Quase a chegar ao Parque encontra-se o Externato Grão Vasco num edifício que pertencia à Quinta da Feiteira. Esta pertencia a João Carlos Ulrich em 1880, data em que mandou plantar um bosque. Mais tarde pertenceu a César José Figueiredo que, em 1911, deu a parcela onde estava o bosque à Câmara Municipal de Lisboa, na condição de que fosse aberto ao público. Assim aconteceu e em 1918 passou a ser designado por Parque Silva Porto, embora seja mais conhecido por Mata de Benfica. Assim que entrámos logo vimos o busto do pintor Silva Porto, de Costa Mota (sobrinho) ali colocado em 1950 por iniciativa da Sociedade Nacional de Belas Artes.  Parece dar as boas-vindas a quem entra naquele parque. Antes de irmos pelo parque dentro ainda apreciámos os azulejos de ArtIMG_20180610_120256e Nova de José António Jorge Pinto, um dos pintores que introduziu este estilo artístico em Portugal. Os azulejos estão num quiosque ali construído em 1916.  Embrenhámo-nos depois pelos caminhos e escadas do Parque, entre árvores de grande porte como; o cedro-do-Buçaco (Cupressus lusitânica), o eucalipto (Eucaliptus sp.), o pitosporo (Pittosporum undulatum), e espécies autóctones, como o sobreiro (Quercus suber), o carvalho-cerquinho (Quercus faginea) ou o pinheiro-manso (Pinus pinea). Ouvíamos o chilrear dos chamarizes e dos pintassilgos.  Sempre a subir, chegámos à zona do Parque infantil e do Bx Adventure Park que, àquela hora ainda não tinha crianças a utilizar estes espaços de aventura. No pequeno lago, nadavam patos com as suas crias. Num dia de temperatura amena, terminámos este passeio rodeados de natureza, respirando ar puro.

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Passeios por Lisboa: partir e voltar ao Jardim de S. Pedro de Alcântara, passeando pelo Bairro Alto

Passeios por Lx | abril 2018

IMG_20180325_164607E assim aconteceu: Abril é conhecido por ter “águas mil” mas também os seus encantos e…num dia a ameaçar chuva mas com o sol a raiar, começámos o nosso Passeio ao encontro dos encantos de Lisboa, indo desde o Jardim de S. Pedro de Alcântara até ao Bairro Alto. Numa combinação de outros passeios  anteriores em abril 2012  ainda  abril 2015 e também  em junho de 2013, começámos por saborear o panorama que se avista do Jardim, recentemente arranjado e, mesmo com uma dupla grade a guardar a primitiva, pudemos ver o lado oriental de Lisboa, desde o rio, passando pelas torres da Sé, o castelo, o imponente convento e a Igreja da Graça, os pinheiros da Senhora do Monte, o jardim do Torel, até à zona mais IMG_20180408_104819moderna de Lisboa a espraiar-se para o nosso lado esquerdo. Recordando que o jardim tinha sido construído no séc XIX no lugar que tinha sido inicialmente planeado para ser um grande reservatório de água. A elegância da fonte trazida dos jardins do Palácio da Bemposta e o busto de Eduardo Coelho (co-fundador do Diário de Notícias) e do ardina, do escultor Costa Mota (tio), de 1904 contribuíram para embelezar o jardim. O tabuleiro inferior encontra-se ainda em obras, pelo que prosseguimos para o convento de S. Pedro de Alcântara ali em frente. Apesar de estar também em obras, está visitável a Igreja e a Capela dos Lencastres que, tal como no passeio de abril de 2015, deslumbrou todos os participantes. Como então dissemos, foi mandado construir pelo 1º Marquês de Marialva em 1680 como resultado de uma promessa que fizera a S. Pedro de Alcântara, de quem era muito devoto, caso vencesse a Batalha de Montes Claros – o que veio a acontecer. O trabalho de mármores embutidos, IMG_20180408_105657 (2)de que ressalta o frontão do altar com o brasão de armas de D. Veríssimo de Lencastre, os frescos do teto, o empedrado do chão a ilusionar uma estrutura cúbica, tudo contribui para um efeito agradável e surpreendente, nesta capela mandada construir em 1690 pelos herdeiros de D. Veríssimo de Lencastre – os Marqueses de Abrantes, em honra dos Santos Júlia, Máxima e Veríssimo que se veneram na Igreja de Santos o Velho e no Mosteiro de Santos-o-Novo. O arquiteto foi João Antunes. Entrámos depois na Igreja dedicada a S. Pedro de Alcântara, nascido em Alcântara (Espanha) em 1499, contemporâneo de Santa Teresa de Ávila, a quem ajudou na reforma dos conventos. Esteve em Portugal, onde fundou mosteiros para os Arrábidos. O retábulo da Capela-mor representa o “Êxtase” de S. Pedro de Alcântara do pintor Bento Coelho da Silveira (Séc. XVII), captando a atenção de quem entra na Igreja. IMG_20180408_110012As paredes da nave e da capela-mor estão revestidas de azulejos do séc. XVIII com cenas da vida deste santo. Um esplêndido quadro representando a coroação de Nossa Senhora pela SSma Trindade, de de Pierre Antoine Quillard (1730) e a Assunção da Virgem de Inácio de Oliveira Bernardes (1730), do lado direito. Deste lado também se pode ver a Pregação de S. João Baptista de Pedro Alexandrino (2ª metade do Séc. XVIII). A meio da nave encontra-se o túmulo de D. Tomás de Almeida, sobrinho do primeiro Patriarca de Portugal com o mesmo nome. Saímos pela Rua Luisa Tody e dirigimo-nos para a Rua de S. Boaventura, onde vimos o palacete Paiva de Andrade, no n. 111, renovado e é agora um Centro Social da Santa Casa da Misericórdia. Continuámos pela rua fora e parámos para ver o Hospital de S. Luis, antigo Palácio do Cunhal das Bolas (Séc. XVI). O 4º Conde da Ericeira aí residiu e em 1696 foi o primeiro presidente da Academia dos Generosos que lá funcionou. Foi neste Hospital que faleceu Fernando Pessoa, cuja última frase escrita na véspera do dia da sua morte: “I know not what tomorrow will bring”IMG_20180408_113117 está agora gravada numa placa lá mandada colocar pela CML em 2008. Mesmo perto fica o coIMG_20180408_121526légio dos inglesinhos, inicialmente, 1632, construído para albergar os ingleses católicos que fugiam dos anglicanos e agora transformado num condomínio de luxo. Descemos a Rua João Pereira da Rosa, para ver a casa onde tantas pessoas das Artes e das Letras viveram, como o atestam as inúmeras placas que ostenta: José Gomes Ferreira, António Ferro, Fernanda Quadros, entre outros! Contornámos o edifício do Convento dos Caetanos, que apresenta uma “fachada eclética e classicizante do tipo “beSAM_1661 (2)aux-arts”. Quando da expulsão das Ordens Religiosas, começou por ser Conservatório Geral de Arte Dramática por decreto de D. Maria II, em 1836. Almeida Garrett e João Domingos Bomtempo tiveram uma importância preponderante no que respeita ao Teatro e à Música que aí se lecionava. Muitos outros nomes que ficaram para a história estão ligados a esta Escola de Artes que veio a designar-se “Conservatório Nacional de Lisboa” a partir da República. Em 1919 tem como director e sub-director Vianna da Motta e Luis de Freitas Branco, respetivamente. Em 1938 é convidado para a direcção, o Maestro e compositor Ivo Cruz (1901-1986). Nos tempos que correm apenas aí funciona a Escola de Música do Conservatório Nacional e continua a aguardar as obras que, ao que parece irão ser iniciadas dentro de 2 anos. Em frente ao edifício, na Rua dos Caetanos, está o Palácio dos Condes de Ficalho, onde já funcionou o Diário de Lisboa. DeIMG_20180408_120958scemos para ver a Igreja dos Fiéis de Deus de 1551 e seguimos para a Rua da Barroca. Tirámos a foto de grupo e procurámos a “Casa da Matilde” no nº 31, mas já foi substituída por um bar. Passámos ao lado do nº 46, onde morou Almeida Garrett, algum tempo. No nº 59 funcionou noutros tempos o Correio da Manhã. Passámos para a Rua do Diário de Notícias, onde funcionou este jornal nos nºs 76-88, lamentando o estado de degradação em que se encontra o edifício. Cruzando esta Rua fica a Travessa do Poço da Cidade onde funcionou o jornal “A Capital” e cujo nome inspirou a crónica “O Poço da Cidade” que saía frequentemente nesse jornal, assinada pelo Olisipógrafo Appio Sottomayor e que continua a inspirar os nossos Passeios. Recordando então que a vida noturna no Bairro Alto começou precisamente quando existiam em simultâneo vários jornais nesta área, acabámos o nosso passeio a meio do dia, numa digressão por estas ruas a esta hora ainda adormecidas e que, apesar de alguns edifícios degradados e muitos rabiscados, mostravam os seus encantos e certamente nos fizeram passar uma manhã bem animada!

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